Pandemia

Mais de 2,4 mil cirurgias eletivas já se acumulam em Pelotas

Dado refere-se apenas ao SUS, mas todos os procedimentos que não são urgência e emergência ainda terão de aguardar

Jô Folha -

A fila de espera por cirurgias eletivas e por procedimentos que dependam de anestésicos seguirá em alta, em Pelotas. Não há qualquer perspectiva de retomada. Com número insuficiente de leitos para acolher os casos graves de Covid-19, há mais de dois meses, e os estoques das medicações utilizadas nas intubações em baixa, a determinação é para que os anestésicos fiquem reservados para o tratamento da doença que já provocou a morte de 767 pessoas até a tarde de domingo.

Dados do setor de Regulação da Secretaria de Saúde apontam que 2.466 cirurgias eletivas - que não são ou não eram consideradas de urgência - se acumulam pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Pelotas. A prefeitura, entretanto, não especifica quantos desses pedidos já existiam antes da pandemia.

Exames como endoscopia e colonoscopia, que requerem sedação, também estão suspensos e sem data para retorno. A decisão é válida para todos: usuários do SUS e de convênios. E é fácil entender o porquê: “A situação é grave”, resumiu a secretária Roberta Paganini, ao manifestar-se diante da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores.

As estratégias para amenizar situação

Para tentar contornar o cenário de escassez, a Secretaria Municipal de Saúde faz o gerenciamento de empréstimos entre as instituições. Na primeira semana de maio, por exemplo, o Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel) repassou medicamentos para a Beneficência Portuguesa e para a Santa Casa. Em abril, foi a vez de a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal e o Centro Covid tirarem o Hospital Universitário São Francisco de Paula da Universidade Católica de Pelotas (HUSFP-UCPel) de uma situação de sufoco.

Criou-se, então, uma rede solidária com objetivo único: garantir a qualidade da assistência aos pacientes e preservar vidas. Ainda assim, com as faltas recorrentes de Midazolam, Propofol e Fentanil - alguns dos mais utilizados -, não raro, as equipes têm precisado recorrer a protocolos alternativos. Na prática, os profissionais fazem o uso de alguma outra medicação, que não a inicialmente indicada para a especificidade do caso, como forma de assegurar o atendimento. É mais um dos motivos para acentuar a angústia dos trabalhadores da linha de frente.

Confira o cenário da rede hospitalar:  

HUSFP-UCPel: Há pelo menos 60 dias, os estoques de analgésicos e bloqueadores neuromusculares têm permanecido em regime crítico. Na maior parte do tempo, são suficientes para trabalhar de três a quatro dias. “Essa falta provoca um estresse relevante para gestores e equipes”, admite o diretor de Assistência, Edevar Rodrigues Machado Júnior.

Quando a medicação ideal não está disponível, os profissionais têm precisado adotar protocolos alternativos, especialmente, com os pacientes de Covid-19. “Isso requer uma série de medidas e cuidados adicionais. Requer mais monitorização”, explica o médico. E embora explique que o processo é feito dentro de uma margem de segurança, Edevar assume que a situação não é ideal.

Santa Casa de Misericórdia: Duas razões principais interferem diretamente no abastecimento dos anestésicos: a dificuldade da indústria em suprir a demanda dos hospitais em diferentes cantos do país e o alto preço dos medicamentos. A Santa Casa tem precisado desembolsar uma média de R$ 300 mil, por mês. A reposição dos estoques, entretanto, ocorre semanalmente, para tentar aliviar a sobrecarga financeira.

“Eventualmente ocorrem doações do Ministério da Saúde, mas que não são suficientes para o consumo das UTIs. Como alternativa, existe a parceria e o coleguismo entre os hospitais, que emprestam medicamentos, entre si, quando há necessidade”, explicou a direção através da assessoria de imprensa.

Beneficência Portuguesa: A direção afirma que o estoque é reduzido, mas lembra que as dificuldades de compra são gerais. O hospital prefere não detalhar prazos de duração dos insumos, já que variam conforme o índice de internação e a necessidade de cada paciente.

HE-UFPel: O Hospital-escola ressalta que por se tratar de instituição 100% pública, as aquisições são realizadas por licitação com previsões de estoque semestrais ou anuais. “Esse planejamento nos deixa menos vulneráveis à escassez abrupta de medicamentos no mercado, porém no período mais crítico, as entregas atrasaram e os estoques ficaram comprometidos”, destaca a gestão através de nota. A instituição informa também que no momento não há falta de medicamentos, mas os estoques são limitados.

Quanto às cirurgias eletivas, assim como as demais instituições, o HE realiza apenas procedimentos de urgência e emergência devido ao decreto municipal que restringe operações e exames que exijam sedação.

Sem informações regionais

O Diário Popular fez contato com a Secretaria Estadual da Saúde, em Porto Alegre, para obter dados do panorama da Zona Sul, mas o balanço não foi repassado. Todas as semanas, os hospitais informam, através de sistema, qual o estoque que possuem de anestésicos e sedativos. E ainda que a responsabilidade de manter o abastecimento das medicações seja de cada uma das instituições, o Estado faz distribuições sempre que dispõe de reserva para enviar.

 

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Pelotas tem mais 97 casos de Covid-19 Anterior

Pelotas tem mais 97 casos de Covid-19

Obras na Capela  da Santa Casa de Pelotas avançam Próximo

Obras na Capela da Santa Casa de Pelotas avançam

Deixe seu comentário